No ano passado, não foi atribuído por o júri, presidido por Vasco Graça Moura, ter considerado a «falta de qualidade das obras a concurso». Este ano o romance de Raquel Ochoa convenceu o júri, de novo liderado por Graça Moura. Segundo nota da Estoril Sol, a acta do júri afirma que o romance revela «uma assinalável qualidade narrativa, conjugando bem os elementos de natureza documental acerca dos contextos pessoais e colectivos da experiência portuguesa na Índia». Na acta, segundo a mesma nota, pode ler-se ainda que a «investigação histórica subjacente ao romance acontece sem prejuízo da construção ficcional. A saga da família Carcomo cativa pela qualidade da efabulação e desenho de personagens». O enredo deste romance - explica o texto - «baseia-se na aventura de uma família indo-portuguesa, originária de Damão, que sobrevive e se adapta à turbulenta História mundial do último século, evocando uma saga nos tempos em que a Índia longínqua era portuguesa. Quatro gerações habitam Nagar-Aveli, Damão e, por fim, Lisboa. Uma casa é abandonada para sempre. Este romance histórico é baseado num relato verídico».
Raquel Maria Fialho Costa Ochoa nasceu em Lisboa em 1980, é licenciada em Direito, tendo já publicado um livro de crónicas, O Vento dos Outros (2007) e Bana - Uma Vida a Cantar Cabo Verde (2008), a biografia do cantor, ambos editados pela Planeta Vivo. Actualmente é formadora na Escrever, Escrever, uma escola de escrita criativa. Ao Prémio Agustina Bessa-Luís Revelação concorreram 72 originais.
Além de Vasco Graça Moura, o júri foi constituído por Guilherme d'Oliveira Martins, em representação do Centro Nacional de Cultura, José Manuel Mendes, pela Associação Portuguesa de Escritores, Maria Carlos Gil Loureiro, pela Direcção Geral do Livro e das Bibliotecas, Manuel Frias Martins, pela Associação Portuguesa dos Críticos Literários, e, ainda, Maria Alzira Seixo e Liberto Cruz, convidados a título individual, e Nuno Lima de Carvalho e Dinis de Abreu, em representação da Estoril Sol.